O que é ser santo nos tempos atuais? Com certeza mudou o enfoque da Igreja para a dimensão da santidade. Pela maioria das imagens se sabe como era vista e aceita a santidade nos 20 séculos do cristianismo: santos com a cabeça inclinada para um lado, olhar de absoluta pureza e mãos em forma de beatice. Esta imagem já não significa muito para o mundo de hoje e a própria Igreja aceita outra forma de santidade. Numa das Jornadas Mundiais da Juventude o Papa João Paulo II disse mais ou menos o seguinte para milhares de jovens fisicamente bem próximos dele: “OS SANTOS DO MUNDO DE HOJE VESTEM JEANS, OUVEM MÚSICA, PRATICAM ESPORTE, TOMAM COCA-COLA E RIEM MUITO”.
Pronto, foi dada a partida para que se aceite os santos dos tempos atuais por um grande Pontífice.
O querido Fraterno João Martins, como jovem, teve como marca número um para a santidade a alegria natural, que vinha de um coração sincero e fiel a Deus e com grande amor à Igreja. Ele foi sim um jovem santo à moda dos santos nos tempos de hoje. Como jovem, viveu o que há de bonito para a juventude que é ser cativante, alegre, fazedor de amizades, descomplicado, natural e aberto às diversas realidades apresentadas pela vida. Jamais alimentou qualquer espécie de preconceito e sabia ser discreto naquilo que num primeiro momento não compreendia ou lhe parecia estranho. Como jovem soube ser solidário, sendo fiel apóstolo naquilo que a ele foi confiado na pastoral de periferia na cidade de Santa Maria, no RS. Seu desejo era ser padre para ser enviado a uma realidade de missão junto aos mais pobres e sofredores. Para isso iria concluir a teologia no ano de sua páscoa. Vivia o presente com toda a intensidade e não jogava para amanhã o que era para ser feito e vivido no hoje de sua vida.
Não é tão difícil encontrarmos jovens nos tempos atuais com muitas virtudes. No geral os jovens são bons, pacíficos, abertos ao transcendente e buscadores de horizontes maiores. Muitos jovens vivem uma bela página do evangelho mesmo fora do ambiente eclesial e caso a Igreja os alcançassem eles seriam uma força testemunhal pública para outros jovens. Nosso Fraterno João Martins viveu parte de sua juventude não dentro da Igreja, mas no ambiente familiar, no trabalho, com os seus amigos. Após sua adolescência entrou na vida da Igreja trazendo em seu espírito valores e virtudes que apenas foram melhores testemunhados no ambiente cristão organizado. Ele não se tornou melhor por ter entrado na Igreja. Ele já era bom ao entrar na Igreja. A Igreja ajudou que ele pudesse perceber melhor que ele era diferente, que era portador de valores profundamente evangélicos. Nos anos de sua formação para a Vida Consagrada ele ia mergulhando aos poucos na espiritualidade, na reflexão e assimilação bíblica, na fraternização com todas as pessoas com quem estava próximo. Deus ocupava cada vez mais um lugar de centralidade na sua vida. Sofria muito quando via que pessoas usavam as coisas de Deus para benefícios próprios e via nisso uma espécie de pobreza interior. Percebia sofridamente que a Igreja, pela sua própria missão, deveria estar a serviço dos pobres e dos que sofrem. Achava que a maior parte das pessoas da Igreja tinha as costas viradas aos jovens e isso ele não podia compreender. Como não trazer para o coração da Igreja aqueles que amanhã deverão conduzir a Igreja na sua missão pastoral? Com essa e outras interrogações, o Fraterno João Martins adotou como lema de sua espiritualidade duas expressões fortes do evangelho de Lucas: CORAGEM E ANÚNCIO: “Não tenhais medo. Ide e anunciai!” (Lucas 2,10; 9,60).
Hoje, nesta data, 21 de março de 2010, nesta celebração em sua memória, devemos contemplar com os olhos do coração as virtudes desse nosso fraterno: alegria, disponibilidade, simplicidade, amizade, coragem, pureza, paz, vida de oração, serenidade, companheirismo, fidelidade aos seus princípios, amor incondicional a Deus e zelo apostólico para com os jovens e os pobres.
Hoje, mais de três anos após sua páscoa, o recordamos com muito carinho e apreço fraterno. Ele, na dimensão espiritual é uma luz diante da Grande Luz que é Deus. Nessa condição ele pode ser nosso intercessor e apresentar ao Bom Deus nossos pedidos e nossas esperanças. Como cristãos sabemos da comunidade viva espiritual que chamamos de Comunhão dos Santos. Que o Fraterno João Martins, seja nosso aliado junto ao Trono do Cordeiro. Amém
Pe. Cyzo Assis Lima,fpm