GENTE SOLIDÁRIA
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JORIS RÖTHLEIN relata sobre sua primeira experiência de engajamento junto aos pobres no Brasil
 
As pessoas, apesar de tão pobres, riem muito e se queixam pouco Aqui, muitas pessoas na Alemanha poderiam aprender com isso
 
Estou agora um mês e meio em Santa Cruz do Sul-Brasil. É digno de menção, com que naturalidade eu fui acolhido aqui. Me contam e explicam muitas coisas e apesar de que nem sempre eu entenda tudo, fico muito feliz com isso.
 
Já na primeira semana eu levei com duas funcionárias comida numa favela, isto é, para uma família que tinha quatro filhos. A filha mais velha estava com 15 anos e a criança mais nova era recém-nascida. Ambos os pais tinham morrido por falta de digna condição e inclusive de alimentação correta. O mau cheiro na favela era terrível, no dia anterior tinha chovido e agora o sol brilhava sobre o lixo que estava por toda parte, o que piorava ainda mais a situação. As casas são em sua maioria apenas de madeira, pregada de qualquer maneira, muitas vezes sem porta e constando em sua maioria de apenas uma peça, não maior do que 10m², onde moram quatro ou até mais pessoas.

Jovem Joris, deixou por quase
um ano a Alemanha para conhcer
por dentro o mundo dos pobres e sofredores no Brasil
 
Tais experiências me tocam bastante, mas com o passar do tempo a gente aprende a lidar com isso. Apesar de tudo isso a alegria de viver das pessoas é sensivelmente grande. As pessoas, apesar de tão pobres, riem muito e se queixam pouco. Aqui, muitas pessoas na Alemanha poderiam aprender com isso.
 

Joris e crianças da periferia que são assitidas pela Fraternidade Palavra e Missão;
 

Diariamente a gente vê as crianças jogando futebol na rua, geralmente descalças por falta de calçado. As bolas muitas vezes são apenas ainda pedaços, não muito cheias ou seja em sua maioria já não são mais redondas. Apesar disso elas brincam durante horas. Com muita alegria elas “dançam” em redor dos adversários e dos buracos na estrada.

Recentemente as crianças da missão da Fraternidade aqui receberam calçados novos. A alegria era grande. Eu tinha a sensação de que para muitas crianças isso era como o Natal e aniversário ao mesmo tempo.

 

Joris com uma criança do CCI de Santa Cruz do Sul
 
 

Numa viagem à missão da Fraternidade numa aldeia indígena dos kaingang em Irai eu novamente mergulhei em um mundo completamente diferente. Me contaram que ainda há 10 anos quase 80% dos índios na aldeia não tinham o suficiente para comer. Isso graças a Deus melhorou grandemente, porque com a ajuda da Associação “Resonanzprojekt Strassenkinder e.V. Bonn“ foi iniciado um grande programa de ajuda. Esta ajuda foi através da cosntrução do Centro Comunitário Criança Viva, que diariamente serrvem farta alimentação para 80 crianças indígenas de zero a doze anos. Mas também lá se sente a pobreza à flor da pele. Foi interessante ver, que a disposição à violência está longe de ser tão grande como em muitos bolsões de miséria da população multicultural “normal”. A meu ver a problemática lá é outra. Desta forma eles se querem mais ou menos segregar e aceitam somente a contragosto a ajuda dos brancos. Eles gostariam mais de ter apenas um apoio material e financeiro. Assim surgem sempre de novo “revoltas” menores, que a meu ver podem ser explicadas pela cultura completamente diferente, isto é, o modo de vida.

Vou ficar aqui no Brasil, residindo com uma comunidade fraterna da Fraternidade Palavra e Missão ainda alguns meses para trabalhar como voluntário em todos os lugares onde me precisam. Eu dou meu tempo livre de presente, abro mão de um salário – mas também recebo das pessoas pobres aí muita experiência como presente, que com toda certeza é valiosa para toda minha vida.

 

Joris Röthlein, 20 Anos
Santa Cruz do Sul-Brasil
Setembro de 2008

 
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